domingo, 13 de maio de 2018

Documentário de Eli Firmeza sobre NÓS OUTROS

Eli Firmeza faz documentário sobre NÓS OUTROS

Processo criativo e apresentações são matéria de documentário



Depoimentos de Kretã Kaingang, Florêncio Rékág, Paulo Homem de Góes, Marco Antonio Garbellini, Juanita Ramos, Beto Bruel e do elenco.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

NÓS OUTROS faz estreia em 24 cidades no interior do Paraná

Peça convivial, criada a partir do encontro com índios Guaranis e Kaingang,  circula por 24 cidades do Paraná, enaltecendo as relações de encontro desde a diferença.


(foto: Bem te vi Produções)

A peça teatral Nós Outros, uma realização da FALA Companhia de Teatro, com dramaturgia e direção de Don Correa, circula por 24 cidades do interior do Paraná, realizando uma itinerância de 3278 Km, passando por  todas as macrorregiões do estado . O trabalho da companhia curitibana promove o vínculo dos artistas com o espectador a partir da experiência de imersão dos criadores na Aldeia Tupã Nhe’e Kretã, localizada nas imediações do Parque Nacional Guaricana.

Nós outros é um encontro teatral entre pessoas de diversas origens. A partir de uma experiência junto aos Kaingang e Guaranis, o espetáculo busca suspender os discursos e perceber o outro na sua mais completa diferença. Celebrar tanto a cultura quanto cada indivíduo, através de relatos, músicas e danças, é o foco da peça. 

Para a criação da peça, a equipe conviveu com os habitantes da aldeia Tupã Nhe’e Kretã, a fim de  participar de atividades propostas por eles. A partir desta convivência, a dramaturgia foi escrita e esboços de encenação foram procurados. 

O trabalho conta com  colaborações de Kretã Kaingang, liderança indígena com atuação em nível nacional, e de Florêncio Rékág Fernandes, mestre em Educação e diretor da escola indígena,  além dos antropólogos Paulo Homem de Góes e Cauê Krüger. O elenco é composto por Diego Marchioro, Eduardo Ramos, Patrick Belem e Richard Rebelo.

Nós Outros é a busca de um encontro sincero com pessoas com outras visões de mundo. O elenco e equipe criativa buscaram um convívio com os Guaranis e Kaingang na Aldeia Tupã Nhe’e Kretã. O espetáculo busca trazer ao público uma experiência análoga a esta. Reconhecendo a diferença que há entre nós e os outros, entre o semelhante e o diferente, a peça provoca o público a reconhecer a alteridade e ter a possibilidade de uma visão mais complexa do mundo.

Além das apresentações, a equipe realiza oficina de teatro, com acesso gratuito, em todas as macrorregiões e cria registros audiovisuais que são compartilhado em cada lugar visitado.

Com incentivo do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, a circulação passa por 24 cidades do Paraná com até 20.000 habitantes.

Nós Outros evoca, através da política do encontro, a relação entre diferenças. Uma peça sobre ser humano e suas relações de afeto. Um encontro a partir de agenciamentos heterogêneos e seus espaços.

FICHA TÉCNICA:
  
Direção e dramaturgia: Don Correa
Elenco: Diego Marchioro, Eduardo Ramos, Patrick Belem, Richard Rebelo
Composição musical: Paul Wegmann
Direção de produção: Michele Menezes
Cenário e Arte gráfica: Pablito Kucarz
Artista plástico: Max Carlesso
Figurinos: Fabianna Pescara e Renata Skrobot
Consultoria em antropologia: Paulo Homem de Góes
Assistência de produção: Mia Bueno
Produção Executiva (viagens): Diego Marchioro
Assessoria de Imprensa: Fernando de Proença
Fotos e vídeos: Bem-te-vi Produções

Local de pesquisa: Aldeia Tupã Nhe’e Kretã
Apoio: Companhia Paranaense de Energia
Incentivo: Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná
Produção: Pró Cult
Realização: FALA Companhia de Teatro

SERVIÇO DA CIRCULAÇÃO NÓS OUTROS:

17/02 – Teixeira Soares
18/02 – Cruz Machado
19/02 – Mangueirinha
20/02 – Candói / Cantagalo
21/02 – Chopinzinho / Nova Laranjeiras
22/02 – Capanema /  Capitão Leônidas Marques
23/02 – Matelândia / Vera Cruz D’Oeste
24/02 – Céu Azul
26/02 – Corbélia / Tupãssi
27/02 – Terra Roxa
28/02 –  Mamborê
01/03 – Barbosa Ferraz
02/03 – Assai
03/03 – Faxinal
04/03 – Carambei
06/03 – Porto Amazonas
07/03 – Bocaiúva do Sul
08/03 – Quatro Barras
09/03 – Antonina

TODAS AS APRESENTAÇÕES TEM ENTRADA FRANCA

PARA INFORMAÇÕES DE LOCAIS DAS APRESENTAÇÕES E HORÁRIOS, ACESSAR:

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

TUTORIAL faz temporada no Teatro Novelas Curitibanas

Elenco, ator convidado e público estarão juntos no palco da peça Tutorial


Ingresso: R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Data(s): 27/10/2017 a 19/11/2017 - 6ª feira, sábado e domingo
Horário(s): 20h
Público Dirigido: não
Classificação: 14 anos
Espaço Cultural:
Teatro Novelas Curitibanas

http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/agenda/teatro-novelas-curitibanas-tutorial/

sábado, 11 de março de 2017

TUTORIAL faz estreia no Festival de Teatro de Curitiba 2017

TUTORIAL nos apresenta um ator, uma atriz, e um não-ator diferente a cada apresentação, que pode ocorrer tanto em um teatro convencional como em uma sala de estar. O elenco conhecerá o convidado durante a cena, e o “Tutorial” terá esta pessoa e público como assistentes e participantes. O ator ensina a lutar e a sobreviver, a atriz ensina a amar. Através desta tentativa de ensino, o espetáculo provoca um encontro imprevisível entre elenco, convidado e público.


Dramaturgia e Direção: Don Correa
Elenco: Eduardo Ramos e Guenia Lemos
Assistência de direção: Lucas Neves
Realização: FALA Companhia de Teatro

MOSTRA TEATRO DE SEGUNDA

31/3, 19:00
1/4, 15:00
7/4, 23:00


Teatro de Segunda: www.teatrodesegunda.com
Link do Festival: 
http://festivaldecuritiba.com.br/evento/tutorial-235/

sábado, 16 de abril de 2016

A Primeira Leitura

Reflexões sobre práticas em sala de ensaio

por Don Correa

Don Correa é dramaturgo e diretor teatral formado pela Tshwane University de Pretória e Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná.



"leiam o texto de forma despretensiosa, por um lado clara e articulada, por outro deixando se afetar pelas suas falas"

É impossível saber qual o primeiro passo para a montagem de uma peça teatral. Se começa do anseio individual, ou do encontro entre artistas, não posso discorrer. Tampouco poderia falar se primeiro encontramos o texto para a peça, ou sequer se é necessário termos um texto para começar a montagem. Isto posto, gostaria sim de supor que escolhemos um texto e que gostaríamos de montá-lo, e as questões que podem surgir de tal proposição.

Um diretor lê um texto que gostaria de montar, visualiza alguns elementos básicos e toma sua primeira decisão concreta, a saber, a de convidar alguns atores para uma leitura. Estes primeiros passos já poderiam ser objeto de uma análise pormenorizada, mas deixemos  isso de lado e reflitamos sobre o encontro com os atores convidados, para percebermos como proceder.

Lembro de um diretor que me contou que certa vez teve uma leitura com atores renomados num hotel. Ele instruiu os atores da seguinte forma: "leiam o texto de forma despretensiosa, por um lado clara e articulada, por outro deixando se afetar pelas suas falas". Um dos atores perguntou: "você quer dizer então para entrarmos 'de sola' no texto?", e o diretor prontamente respondeu que não, que ele deveria ir com calma, procurando ter um contato com aquelas palavras. O ator ignorou a resposta do diretor e "entrou de sola", e a leitura foi depois descrita pelo diretor como "uma das piores que já ouviu na vida".

A primeira leitura é um momento delicado, durante o qual estamos tateando com o material, e não deveríamos colocar nossos traços imediatamente naquilo que foi escrito. É um momento de "impressão", e não de "expressão". As estruturas, os sons, as significações não foram ainda mapeadas, é um momento de explorações, de incursões, de sentinela. O mapeamento será feito depois, nos ensaios, e teremos todo cuidado durante esse momento. Mas o fato que as sensibilidades dos artistas estão tendo aquele primeiro contato com o material, em conjunto, faz disso um momento inaugural, por um lado saboreado, por outro sabendo que há muito trabalho a ser feito. "Entrar de sola" seria uma forma de querer agradar o outro, mostrar suas próprias habilidades, e não ter esse primeiro contato. Fazer tal coisa seria falar mais sobre você do que o texto, pois de onde viriam essas opções estéticas tão prontamente empregadas perante este texto? Não seria do seu próprio inventário de "boas práticas" ou "peças idealizadas"?

Uma peça idealizada nunca é concreta, e tende a ser um conjunto de vaidades e opiniões sobre o que o mundo deveria ser. Uma peça concreta precisa lidar com o texto em mãos, com os atores que habitam aquele tempo/espaço, com os nossos limites e possibilidades. Uma peça concreta é dirigida a um público concreto e jamais aquele que povoa nossas ideias ou fantasias.

Se o primeiro exemplo foi por um lado cômico, por outro mostra a vaidade que nos cerca, que é justamente o que nos impede de ter acesso ao outro, e de verdadeiramente fazer com o que o público seja ativo durante um espetáculo, e não um objeto. Um público ativo é aquele que por um lado deixa sua sensibilidade ser cortada pelo evento estético que presencia, por outro adentra tais cortes com seus próprios medos, anseios, desejos. Um artista que quer simplesmente se mostrar e ser adorado pelo público faria melhor se fizesse uma apresentação perante um espelho. Não importa se a adoração do público seja pela figura do ator, sua personalidade, ou por sua tremenda técnica, o ponto é o mesmo: é um teatro que coloca o público como um objeto, um ser passivo. Este teatro faz do público alguém para dirigirmos um discurso, e não um ser ativo, um sujeito. São posturas como essa que já nos dão uma noção da peça que surgirá daquela leitura. Pois se os artistas já têm tal postura perante a "exploração", imagine o que virá na hora da "elaboração"? São posturas éticas que têm profunda relação com o efeito estético que de lá brotará.

Por sorte de nosso diretor, os atores que fizeram o descrito acima não quiseram fazer a peça, e outra leitura foi feita, com outros atores. Na segunda leitura a mesma instrução seria dada: "leiam o texto de forma despretensiosa, por um lado clara e articulada, por outro deixando se afetar pelas suas falas". O segundo elenco, menos pretensioso, decidiu seguir a instrução do diretor. O texto foi mais do que dito, ele foi "fala", ou seja, um evento vivo, um acontecimento. Sim, por vezes haveria tropeços de leitura, de dicção, ou que quer que seja. Mas, a postura era outra, ela permitia que o ouvinte pudesse ter algum acesso ao que era dito, fazendo que o "dito" se tornasse "fala". Quando os atores não sentiam o que estavam dizendo, quando a "fala" era somente um "dizer", eles voltavam atrás e tentavam novamente. Não havia pretensão, vontade de agradar, poses, etc: o que havia era um elenco disponível, à procura de um evento estético.

Importante fazer notar que ter uma sensação no teatro não é um evento íntimo dos artistas. Só tratamos de eventos estéticos no teatro, e não de percepções internas. Se há relação entre uma e outra, não é esse o ponto, mas sim que nosso produto é um evento destinado a percepção do outro, e não do falante. O evento que importa é aquele posto no tempo/espaço, através de corpos, sensibilidades, sons, etc, e nunca as sensações privadas de cada artista.

A instrução do diretor era simples, mas a simplicidade nem sempre é fácil. Pois, para chegarmos a ter essa postura, ética antes de mais nada, de colocarmos o evento estético acima de nossos próprios egos, desejos, anseios, medos, e por fim permitir que o público tenha acesso aquilo que é posto no tempo/espaço, há muito trabalho a ser feito. E mais importante, quando falamos de trabalho, não falamos de esforço físico, nem de horas trabalhadas: trata-se, acima de tudo, de ter uma postura que possa garantir que tudo que tem ali sua origem, seja legítimo.  

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Legitimidade do AQUI/AGORA

uma reflexão sobre o fazer teatral e autonomia

por Don Correa

Don Correa é dramaturgo e diretor teatral formado pela Tshwane University de Pretória e Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná.


“Como saber se estamos no caminho certo?” pergunta o ator. “Nós sentimos”, responde o diretor.

"se o corpo não estiver em contato com aquele tempo e aquele espaço, diretamente e sem intermédios, não há a possibilidade de criação autônoma ou singularidade"

A sala de ensaio é certamente a melhor professora de qualquer ator ou diretor. É dentro desse espaço que a prática se revela a grande detentora da verdade. Daí a dúvida se aquilo que é feito no isolamento e solidão da sala de ensaios realmente representa algo de novo, ou ainda mais importante, algo verdadeiro e relevante: uma criação autônoma e singular. A dúvida abre a porta através da qual o seguinte intruso pode adentrar a sala de ensaio: o conceito desprovido das condições de tempo, espaço e subjetividade que estavam em jogo durante aquele ensaio naquele aqui/agora.

Não são raros os processos de criação teatral que perseguem algum pensamento pré-estabelecido. Todos serão julgados pelo seu resultado e/ou efeitos que exercem no aparato sensível do público presente. Sabemos pois que não são questões metódicas que julgam a efetividade de um evento estético, mas a sua apresentação ou performance. Portanto, não procuraremos nos deter em juízos de valor sobre os processos criativos que se preocupam com tais questões metódicas, e doravante nos contentaremos em descrever aqueles que têm a prática como fiel da balança contrapostos àqueles que não.

Pensemos no seguinte processo de montagem de um espetáculo teatral. No primeiro dia de ensaio o diretor diz: “coloque seus pés no lugar desejado, e certifique-se a todo momento que seus pés obedecem tal comando”. A instrução é seguida de diversas caminhadas durante as quais os atores praticam determinar um lugar específico para pousar a planta dos pés. Na sequência o diretor diz: “estabeleça um ritmo na sua respiração”, e o mesmo procedimento é repetido. Por fim, ele explica que “se os pés, sendo naquele momento o contato com a terra, e a respiração, naquele momento o contato com a vida, não estiverem sob controle, nada mais estará”. 

Sendo mais diretos, diríamos que se o corpo não estiver em contato com aquele tempo e aquele espaço, diretamente e sem intermédios, não há a possibilidade de criação autônoma ou singularidade.

Do segundo dia em diante, os atores trabalham com o texto e na elaboração de cada som e cada gesto. O mesmo procedimento é repetido em todos os ensaios, sem medo do erro e sem se esquivar de fazer escolhas necessárias para a elaboração do espetáculo. Certamente os atores estão sempre repletos de dúvidas quanto ao método que estaria sendo utilizado, por um lado tão óbvio e simples, por outro parecendo demasiado banal. A angústia do ator é a de dar um passo em falso, de cometer equívocos. Porém, quando isso se transforma em medo paralisante, a montagem é prejudicada, e trazemos nossos lugares de conforto ao nosso resgate. O medo está sempre presente, mas o medo que beneficia a montagem não é do erro, mas sim o que nos permite frequentar uma zona de risco onde estamos alheios a nós mesmos, permitindo a possibilidade do tão temido ´fracasso´. Fracasso perante as ideias, vitória da verdade construída através daquela situação na qual a intuição foi nossa mestra.

Os dias passam e desta forma cumpre-se todo o processo de montagem, sempre apoiado na intuição daqueles ali presentes, e os sistemas de encenação desenhados pelo diretor, sempre postos naquele aqui/agora e percebendo se exercem plena potência na sua sensibilidade.

Após os aplausos da estréia bem sucedida, os atores criam cada um à sua maneira uma fábula individual ou coletiva que dê conta da “falta de método” daquele diretor, mas exaltam a sabedoria do mesmo por ter sido tão atento a cada detalhe do espetáculo. Eles se recordam das perguntas que dirigiam ao diretor, por exemplo: “que emoção devo ter naquele momento?”, recebendo a resposta: “o que você elaborou através de sua sensibilidade é, e sempre será, legítimo.”

O processo criativo descrito é então aquele de aceitar a singularidade de cada artista presente naquela sala de ensaio, e a confiança de que o fruto de suas escolhas autônomas e intransferíveis terão recepção no aparato sensível de cada individuo que assistirá o espetáculo. É certamente uma hipótese, mas uma que privilegia a intuição e legitima seus juízos. Todavia, percebemos que nem tudo que é apresentado é da ordem do singular e autônomo, tornando o diretor um guardião da sala de ensaio contra todos os intrusos que ameaçam o trabalho dos atores, especialmente aqueles que eles mesmo trazem em seus corpos e mentes, que não são fruto daquela obra com aqueles artistas naquele aqui/agora. O intruso mais perigoso na sala de ensaios seria a busca de uma ideia pré-estabelecida, uma concepção a priori, do que o espetáculo deve “dizer” ou “fazer”, e que, portanto reduz o mesmo a uma série de discursos que utilizarão o fenômeno estético como seu veículo

Poderíamos supor um espetáculo que já fora montado em diversas ocasiões, e que já fora objeto de inúmeras críticas e ensaios. Neste caso devemos ter todo o cuidado para que nossas idéias pré-estabelecidas do que aquele espetáculo deveria ser já não determine o que ele será. Pois, se já sabemos o que um espetáculo será, qual seria a razão de fazê-lo? Não seria melhor deixarmos aquilo para a história da arte descrever? Por que repetir aquilo que já foi feito? Pareceria que há um certo conforto em ser legitimado por um suposto bem fazer, ou ainda mais por uma posição política. Talvez a recepção do público seria mais fácil, pois teriam que simplesmente ligar aquilo que percebem a um modelo já existente, aos discursos tão familiares. Mas seria isso de fato uma criação autônoma? Teria o público qualquer oportunidade de exercer sua própria autonomia perante esta obra?

Por mais que a hipótese de repetir um discurso encontraria fácil legitimação perante a crítica, o público, e principalmente os órgãos detentores do poder, este procedimento não parece convincente, pois submete qualquer evento aqui/agora elaborado pelos artistas aos diversos saberes ou discursos. O papel do artista seria então reduzido ao de simplesmente compreender o modelo pré-existente, elaborado por outrem, e pela sua mímese. Não haveria em tal procedimento lugar algum para singularidade, autonomia ou sequer criação. 

A única resposta parece ser a de expelir os discursos e saberes da sala de ensaio, e proceder tal qual nosso diretor nos instruiu: “colocando nossos pés no chão e exercendo controle da nossa respiração.” Dali em diante, a criação dar-se-á naquele tempo/espaço com aqueles sujeitos, tendo a intuição como guia, e os saberes e técnicas a seu serviço. Desta forma, não haverá nenhum risco de nosso espetáculo ser “didático”, “panfletário” ou de qualquer outra forma prostituído. É a oportunidade de rejeitarmos a imobilidade que questões metódicas ou saberes podem exercer na sala de ensaio, e deixarmos tais questões para antes ou depois, permitindo aquele aqui/agora ser legitimado por si mesmo.


“Não sou um teórico. Não sou um comentador confiável nem uma autoridade para falar da cena dramática, da cena social ou de qualquer cena. Escrevo peças, quando consigo, e isto é tudo. [...] O que eu escrevo não tem obrigação diante de nada, a não ser diante de si mesmo. Minha responsabilidade não é com o público, críticos, produtores, diretores, atores ou meus colegas em geral, senão para com a peça nas mãos, simplesmente." (HAROLD PINTER, 2009)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

PINTER, HAROLD. The Cambridge Companion to Harold Pinter, 2nd Edition. Edição de Peter Raby. Tradução por Don Correa. CUP: Cambridge, 2009. 

sábado, 20 de junho de 2015

Matéria no Teatrojornal dedicada a Novos Dramaturgos

Renovação formal da dramaturgia em SC

Panorama de espetáculos escritos e encenados sob novas influências

Com Stephan Baumgartel

Satan Circus - de Paulo Zwolinski, direção de Eduardo Ramos, na foto: Nathan Diego Gualda
(...)

"Novos nomes também começam a despontar no cenário. André Felipe, de Florianópolis, recebeu duas vezes o prêmio Rogério Sganzerla, da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina, pelos textos Suéter laranja em dia de luto e Não sempre. De Jaraguá do Sul, Paulo Zwolinski teve a peça Como se eu fosse o mundo encenada no Festival de Curitiba em 2010, com direção de Roberto Alvim; a peça Os pássaros foi encenada em 2013 pelo Edital Novelas Curitibanas, com direção de Don Correa. Em 2014, também com direção de Don Correa, o texto Gafanhoto estreou no Festival de Curitiba." 

(...)

MATÉRIA COMPLETA:
http://teatrojornal.com.br/2015/06/renovacao-formal-da-dramaturgia-em-sc/

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A obra de arte como ponto de vista - encontro com Don Correa no FILO

Dramaturgo e diretor teatral Don Correa discute a escrita, encenação e atuação durante Mostra de Dramaturgia SESI / Teatro Guaíra no Festival Internacional de Londrina (FILO)

Don Correa, dramaturgo e diretor teatral

Pensar o teatro de dentro dele, a partir da obra como ponto de vista. O fazer teatral como pensamento legítimo, e todas técnicas, métodos e instrumentos empregados passíveis de reinvenção. A conquista de um ambiente dentro do qual o gesto criativo não seja senão em relação a obra e o receptor. Don Correa faz uma reflexão sobre o fazer teatral como um todo, desde a escrita até a própria apresentação, buscando a integração absoluta entre pensar e fazer teatro.

Local: Centro Cultural SESI: Praça Primeiro de Maio, 130 (em frente a Concha Acústica)
Horário: 9am
Mostra de Dramaturgia SESI-Teatro Guaíra
Festival Internacional de Londrina (FILO)

domingo, 17 de agosto de 2014

GAFANHOTO faz apresentação no Festival Internacional de Londrina (FILO)

Espetáculo com direção de Don Correa será apresentado no Festival Internacional de Londrina (FILO) durante a Mostra de Dramaturgia SESI - Teatro Guaíra

Maíra de Aviz, atriz (fotografia: Elenize Desgeniski)
Dia 3 de setembro
Horário: 19 horas
Local: Centro Cultural Sesi
Duração: 40 minutos
Teatro adulto
16 anos

Em uma casa de campo, um doente terminal recebe cuidados de sua esposa. Um invasor entra na casa, violenta e mata a mulher diante do olhar do homem indefeso e inerte. A ação é vista submersa nas perspectivas da sexualidade, prazer e violência: a experiência da destruição trazida por uma nuvem de gafanhotos.

Em seu ensaio crítico sobre o espetáculo, a crítica e jornalista Soraya Belusi escreveu na Gazeta do Povo (Curitiba):

“A experiência da destruição pela linguagem: A morte como possibilidade de se enxergar a vida por uma perspectiva outra daquela que denominamos como real. Apenas indícios, lastros de identidades que, um dia talvez, tenham se configurado como plenas, mas que, ao atravessarem a fronteira, se explodem em vozes estilhaçadas sem se configurarem como sujeitos unitários, completos ou reconhecíveis. É preciso morrer (ou, no caso do espectador, matar-se) para tornar-se outro(s). (...)"

GAFANHOTO

de Paulo Zwolinski
direção de Don Correa
elenco: Eduardo Ramos, Maíra de Aviz, Sávio Malheiros
iluminação: Don Correa
assistência de direção: Eduardo Ramos
apoio: Núcleo de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
realização: FALA Companhia de Teatro
teaser: https://www.youtube.com/watch?v=b26anoIM594
website: www.falateatro.blogspot.com
link oficial: http://filo.art.br/2014/07/03/gafanhoto/

domingo, 16 de março de 2014

GAFANHOTO em matéria da Gazeta do Povo (Curitiba)

Dramaturgia sob novas influências

Matéria de Helena Carnieri, Gazeta do Povo (Curitiba), 15/3/2014

Sávio Malheiros e Eduardo Ramos, GAFANHOTO, fotografia: Elenize Dezgeniski

"(...) Em seu quinto ano de existência no Paraná, o Núcleo de Dramaturgia já acumula espetáculos que chamam a atenção, como Melhor Ir Mais Cedo Pular da Janela, de 2012, e Gafanhoto, de 2013. Além dessas, oito peças serão apresentadas no Teatro José Maria Santos de 2 a 6 de abril.

“Achamos importante circular as peças por festivais”, pontua a gerente de cultura do Sesi, Anna Zétola , lembrando que, no ano passado, algumas montagens foram apresentadas no Festival de Londrina e numa mostra do Club Noir, de Roberto Alvim. (...)"

http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1454287&tit=Dramaturgia-sob-novas-influencias

GAFANHOTO
de Paulo Zwolinski
direção de Don Correa

Teatro Guaíra (miniauditório): 26/3 - 22h00; 27/3 - 16h00
Teatro José Maria Santos: 3/4 - 21h00

Mostra de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
Festival de Teatro de Curitiba

Ingressos: 5,00 (meia-entrada)
Comprar ingressos: http://festivaldecuritiba.com.br/atracao/837/Gafanhoto
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

GAFANHOTO fará apresentações no Festival de Teatro de Curitiba 2014

GAFANHOTO (de Paulo Zwolinski, direção de Don Correa) fará apresentações no Festival de Teatro de Curitiba - Mostra de Dramaturgia SESI - Teatro Guaíra




“A experiência da destruição pela linguagem: A morte como possibilidade de se enxergar a vida por uma perspectiva outra daquela que denominamos como real. Apenas indícios, lastros de identidades que, um dia talvez, tenham se configurado como plenas, mas que, ao atravessarem a fronteira, se explodem em vozes estilhaçadas sem se configurarem como sujeitos unitários, completos ou reconhecíveis. É preciso morrer (ou, no caso do espectador, matar-se) para tornar-se outro(s). (...)"

(Soraya Belusi, crítica e jornalista em crítica para a Gazeta do Povo)

GAFANHOTO


de Paulo Zwolinski
direção de Don Correa
elenco: Eduardo Ramos, Maíra de Aviz, Sávio Malheiros
iluminação: Don Correa
assistência de direção: Eduardo Ramos
apoio: Núcleo de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
realização: FALA Companhia de Teatro
teaser: https://www.youtube.com/watch?v=b26anoIM594
website: www.falateatro.blogspot.com

Festival de Teatro de Curitiba
Mostra de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra

26/3 (22h00) e 27/3 (16h00): Teatro Guaíra (Miniauditório)
3/4  (21h00): Teatro José Maria Santos

Ingressos: R$5,00 (meia-entrada) / R$10,00 (inteira)


sábado, 28 de dezembro de 2013

Balanço das atividades da companhia (2012 - 2013)

FALA Companhia de Teatro comemora seu primeiro ano de realizações

Montagem de ZERO no Festival de Teatro de Curitiba 2013 (fotografia: Bruno Mancuso)

Fundada em Dezembro de 2012, a FALA Companhia de Teatro comemora seu primeiro ano fazendo o balanço de suas atividades desde sua fundação. Além das oficinas, circuitos de palestras, e co-produções, a companhia realizou os espetáculos PARIDO, ZERO e GAFANHOTO em seu primeiro ano.

PARIDO (2012)

Bruno Mancuso e Daniele Agapito, PARIDO (fotografia: Lauro Borges)
O primeiro trabalho da companhia foi PARIDO, com texto e direção de Don Correa. A peça foi apresentada na Mostra de Dramaturgia SESI - Teatro Guaíra de 2012 e contava com os atores Bruno Mancuso, Brian Townes, Daniele Agapito e Sávio Malheiros.

Escrito por Don Correa no Núcleo de Dramaturgia SESI/PR, o espetáculo foi descrito pelo diretor Roberto Alvim como "uma instauração delicada, de anjos no palco", e em entrevista para a Gazeta do Povo como "uma espécie de épico sobre todos os homens que caminharam sobre a terra". A jornalista e crítica teatral Luciana Romagnolli, em crítica intitulada "Poema cênico materializado em corpos sob o barro e a luz", considerou a obra como "uma peça que desponta pela potência de sua teatralidade".

ZERO (2013)


Brian Townes, ZERO (fotografia: Bruno Mancuso)
Em Abril de 2013, a companhia realiza a montagem do único espetáculo em inglês do Festival de Teatro de Curitiba. O autor e diretor Don Correa convida Brian Townes (co-fundador da companhia) para a encenação de ZERO (a postscript to the anarchist cookbook) durante uma mostra especial do festival (Coletivo de Pequenos Conteúdos). O espetáculo obteve destaque na edição do FTC 2013 na recepção de público e crítica, sendo apontado por Luciana Romagnolli como "uma orquestração sensível de luz, som, ritmos e sensações" em balanço crítico para a Gazeta do Povo.

Em Maio de 2013, ZERO seguiu para São Paulo a convite do Club Noir para cumprir breve temporada em sua sede na Rua Augusta. O crítico Ruy Filho, que havia assistido as apresentações em Curitiba, e em seguida em São Paulo, escreve sua crítica ao espetáculo, publicada na Revista Antro+, tecendo o seguinte comentário: "Zero realiza bem o proposito do transumano. Consegue se destacar nas experiências mais próximas aos princípios da teoria, ao elencar imagens fortes, simbolicamente complexas, a partir de estruturas de representação simples e belas. O ator, evidentemente, não atinge o estado de autocombustão. Mas a experiência trazida ao espectador pode ser sim descrita como uma maneira de incendiar suas convicções por dentro. Atear fogo é pouco nos dias atuais. É preciso conseguir levar o outro a aceitar sua própria destruição. E Zero faz necessariamente bem muito de tudo isso."

Em Junho de 2013, ZERO foi apresentado no Teatro SESI em Curitiba.

Em Agosto de 2013, ZERO foi apresentado no Festival de Teatro de Londrina (FILO), integrando a Mostra de Dramaturgia SESI no festival. 

Em Outubro de 2013, ZERO foi apresentado no 5º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council (SP). Em seguida, o espetáculo seguiu para cumprir temporada no Teatro Guaíra (miniauditório) tendo a projeção de legendas em português sincronizadas à fala do ator.

GAFANHOTO (2013)

Sávio Malheiros, Eduardo Ramos e Maíra de Aviz, GAFANHOTO (fotografia: Gazeta do Povo)

Em Dezembro de 2013, a FALA Companhia de Teatro realiza seu mais recente projeto: GAFANHOTO, de Paulo Zwolinski. O diretor Don Correa, ao lado dos atores Eduardo Ramos, Maíra de Aviz e Sávio Malheiros, encenam pela segunda vez texto de Zwolinski ("Os Pássaros" fez estreia no Teatro Novelas Curitibanas em Novembro de 2013, com a produção da Cia Saggioratto, sob direção de Don Correa).

GAFANHOTO fez sua estreia na abertura da Mostra de Dramaturgia SESI - Teatro Guaíra de 2013, seguido por palestra de Georgette Fadel. A crítica e jornalista Soraya Belusi, em crítica dedicada ao espetáculo intitulada "a experiência da destruição pela linguagem", elabora o seguinte comentário sobre a obra: "A morte como possibilidade de se enxergar a vida por uma perspectiva outra daquela que denominamos como real. Apenas indícios, lastros de identidades que, um dia talvez, tenham se configurado como plenas, mas que, ao atravessarem a fronteira, se explodem em vozes estilhaçadas sem se configurarem como sujeitos unitários, completos ou reconhecíveis. É preciso morrer (ou, no caso do espectador, matar-se) para tornar-se outro(s)."

FALA COMPANHIA DE TEATRO


Don Correa (diretor, PARIDO, ZERO, GAFANHOTO)
Brian Townes (ator, PARIDO, ZERO)
Bruno Mancuso (ator, PARIDO; fotógrafo, ZERO, GAFANHOTO)
Daniele Agapito (atriz, PARIDO)
Eduardo Ramos (ator, GAFANHOTO; assistente de direção, ZERO, GAFANHOTO)
Maíra de Aviz (atriz, GAFANHOTO)
Sávio Malheiros (ator, PARIDO, GAFANHOTO)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A experiência da destruição pela linguagem (Gazeta do Povo, Curitiba)

Crítica e jornalista Soraya Belusi escreve sobre GAFANHOTO de Paulo Zwolinski, direção de Don Correa


Eduardo Ramos, ator (Fotos Elenize Dezgeniski)
A morte como possibilidade de se enxergar a vida por uma perspectiva outra daquela que denominamos como real. Apenas indícios, lastros de identidades que, um dia talvez, tenham se configurado como plenas, mas que, ao atravessarem a fronteira, se explodem em vozes estilhaçadas sem se configurarem como sujeitos unitários, completos ou reconhecíveis. É preciso morrer (ou, no caso do espectador, matar-se) para tornar-se outro(s).

"Gafanhoto", espetáculo que abriu as apresentações da Mostra de Dramaturgia do Sesi, desestabiliza o dramático (e consequentemente o humano) ao se apropriar de forma potente de procedimentos propostos pelas dramáticas do transumano, elaborada por Roberto Alvim, que coordena, há cinco anos, o núcleo de criação em Curitiba.  

Em sua escritura, Paulo Zwolinski, autor do texto, opera deslocamentos na linguagem que impossibilitam a construção unívoca de sentido, por meio de procedimentos de repetição, replicação e variação, esvaziando o significado a cada nova citação, buscando, através da própria arquitetura línguística, lançar o espectador em experiências de destruição e devastação, embaralhando o entendimento em prol da construção de intensidades colocadas em trânsito permanente, deixando entrever forças de violência e sexualidade.

"E então eu já estou morto

tente ao menos tocar minha fumaça".


Sávio Malheiros, Eduardo Ramos e Maíra de Aviz (Fotos Elenize Dezgeniski)


Não há mais o sujeito ou o personagem. São emissores que parecem não falar (apenas) de si mesmos, apresentam-se de maneira instável, como se povoados por outros. Restam "testemunhos" de subjetividades que parecem cohabitar tempos e espaços fluidos, mutáveis e indefiníveis. Não há mais certezas nas quais se agarrar. Assumem a destinerrância como condição. “Como a morte, a indecidibilidade, o que chamo também de ‘destinerrância’, a possibilidade para um gesto de não chegar ao destino, é a condição do movimento de desejo, que de outra forma morreria antes do tempo”. (J. Derrida, em Sur Parole.Instantanés philosophiques, p. 53).

A encenação de Don Correa se equilibra entre fornecer ao público signos inicialmente reconhecíveis (como por exemplo os figurinos "cotidianos") para negá-los na sequência, ativando, pela fala dos atores (Eduardo Ramos, Sávio Malheiros e Maíra de Aviz), esses diferentes modos de subjetivação, que também são colocados em trânsito pela maneira com que o diretor mobiliza os recursos de luz, construindo e destruindo tempos e espaços impermanentes, dando a ver as presenças-ausências que habitam a fronteira entre a luz e o breu.

(Soraya Belusi)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Dramaturgia do SESI faz mostra - (Gazeta do Povo, Curitiba)

Núcleo apresenta seus principais trabalhos do ano durante duas semanas, a partir desta terça (03), no Teatro José Maria Santos


(trecho de reportagem de Helena Carnieri)

"Depois de mais um ano de sala de aula, chegou a hora de os alunos do Núcleo de Dramaturgia do Sesi/PR mostrarem as peças que estão criando. A mostra do grupo começa hoje à noite, com o espetáculo Gafanhoto, com texto de Paulo Zwolinski e direção de Don Correa, às 20 horas, no Teatro José Maria Santos.

Em seguida, a atriz Georgette Fadel faz uma palestra em que abordará um pouco da peça de estreia e de sua experiência com o teatro pós-dramático (não baseado em diálogos nem numa narrativa com começo, meio e fim).

Gafanhoto tem como tema principal a morte. O texto fala de três figuras que se encontram numa casa de campo – numa situação terrível. Um doente terminal é atendido por sua mulher quando um invasor entra na casa, a violenta e mata, sem que o marido possa reagir.

“A ideia da invasão de gafanhotos numa plantação vem a calhar, porque são insetos que chegam, passam e vão embora, mas destróem tudo por onde passam”, explicou Correa à Gazeta do Povo.

Diferentemente de outras peças escritas no núcleo, em que a narrativa é aberta e fica a cargo do espectador dar forma à história que está sendo contada, aqui o núcleo de ação é bem claro. Lado a lado com a violência, surge a sexualidade inconsciente: tanto a mulher que é violentada quanto o homem que se torna um voyeur involuntário sentem prazer com o ato. “É como se a peça fosse contada do ponto de vista da morte, que é a conjunção de vozes que integram o texto”, acrescenta Correa. O resultado é descrito por Alvim como “inacreditável, uma obra-prima”. (...)"

de Paulo Zwolinski
direção de Don Correa
Mostra de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

GAFANHOTO faz abertura da Mostra de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra

Texto inédito de Paulo Zwolinski, com direção de Don Correa, faz apresentação no dia 3 de Dezembro, às 20h00, na Mostra de Dramaturgia SESI/PR no Teatro José Maria Santos






Entre os dias 3 e 15 de Dezembro o Núcleo de Dramaturgia SESI/PR apresentará sua Mostra de Dramaturgia SESI/PR, com 16 espetáculos encenados por membros do Núcleo.

O espetáculo "Gafanhoto" com texto de Paulo Zwolinski (Como Se Eu Fosse o Mundo, Os Pássaros) conta com direção de Don Correa (Parido, Zero, Os Pássaros) e será apresentado no dia 3 de Dezembro, às 20h00, fazendo a abertura da Mostra. Após o espetáculo, uma palestra será ministrada pela atriz Georgette Fadel e haverá um Coquetel de Abertura.

"Gafanhoto" é um projeto desenvolvido durante as oficinas de encenação ministradas por Roberto Alvim e conta com os atores Eduardo Ramos, Maíra de Aviz e Sávio Malheiros. A peça busca através da fala dos atores presentificar o ponto de vista da morte e seu correlato, aquele que morre. Através de uma estrutura que busca saltos constantes entre morte / morto, Zwolinski apresenta sua poética.

MOSTRA DE DRAMATURGIA SESI/PR - TEATRO GUAÍRA 2013



Eduardo Ramos e Sávio Malheiros, atores (Fotos Bruno Mancuso)


3 de Dezembro, 20h00
Teatro José Maria Santos
Entrada Franca

texto: Paulo Zwolinski
direção: Don Correa
elenco: Eduardo Ramos, Maíra de Aviz, Sávio Malheiros
iluminação: Don Correa
assistência de direção: Eduardo Ramos
operação de luz: Douglas Borba
realização: FALA Companhia de Teatro

Sinopse:

A morte como ponto de vista: os saltos entre diversas experiências de destruição. O gafanhoto traz a praga, a devastação, receber sua visita é o privilégio de experienciar a morte, não somente de si mesmo, mas de todos que já viveram.

Matéria na Gazeta do Povo: http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1425860&tit=Mostra-expoe-o-novo-teatro-curitibano

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

"Os Pássaros" faz abertura do novo ciclo do Novelas Curitibanas com direção de Don Correa

Peça escrita por Paulo Zwolinski, realizada pela Cia Saggioratto, é nova atração do mais prestigiado Edital de Montagem de Espetáculos de Curitiba


O inconsciente, o poder e a sexualidade sãos as forças que permeiam o espetáculo “Os Pássaros”, em temporada entre 7 de novembro e 8 de dezembro no Teatro Novelas Curitibanas.  A peça, dirigida por Don Correa, leva ao palco três figuras que por meio de suas falas, constroem mundos distintos. A partir de então uma atmosfera de novas realidades é criada e produz seus traços, levando o espectador a um sobrevoo pelo seu próprio imaginário.

Em cena, Maíra de Aviz, Sávio Malheiros e Paulo Alves trabalham com as noções do sujeito que se resignificam, em mutação e movimento, quando levadas ao receptor. A instabilidade da cena, já construída pelo texto de Paulo  Zwolinski, liberta o receptor da primazia do palco e permite ao público a invenção autônoma de realidades singulares. Paulo Zwolinski, uma das revelações da dramaturgia paranaense nos últimos anos,  buscou em “Os Pássaros” uma escrita centrada na fala que se atualiza na presentificação de signos no tempo/espaço, proporcionando múltiplas possibilidades de significação que dependem inteiramente da ativação do imaginário de seu receptor. 

E essa proposta de multiplicar experiências também se desdobra à encenação. A movimentação corporal e vocal precisa relacionada aos movimentos de luz e som propõem a reconfiguração constante do espaço e a criação desses mundos distintos revelados a cada instante. 

Produzida pela Cia Saggioratto, os Pássaros abre a nova temporada de espetáculos do Teatro Novelas Curitibanas e retoma os trabalhos de pesquisa da cia, que há dez anos investe na produção de espetáculos com foco na investigação de linguagens contemporâneas. 


OS PÁSSAROS

texto: Paulo Zwolinski
direção: Don Correa 
elenco: Maíra de Aviz, Paulo Alves, Sávio Malheiros 
composição musical original: Edith de Camargo
assistente de direção: Eduardo Ramos 
iluminação: Don Correa 
preparação de voz e corpo: Edith de Camargo 
figurinos: Maureen Miranda
ilustração: André Coelho 
produção de operações: Eduardo Ramos
produção, cenários e adereços: Geane Saggioratto
realização: Cia Saggioratto

de 7 de Novembro a 8 de Dezembro
Quinta a Domingo às 20h00
Teatro Novelas Curitibanas
R. Pres. Carlos Cavalcanti, 1222, Curitiba 
ENTRADA GRATUITA (ingressos serão distribuídos com 1h de antecedência).

Matéria na Gazeta do Povo (Curitiba): http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?id=1423187&tit=Os-Passaros-valorizam-teatro-sensorial

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Crítica de Helena Carnieri (Gazeta do Povo, Curitiba) sobre ZERO

Zero: cenas fragmentadas e movimento


Brian Townes, em ZERO (fotografia: Bruno Mancuso)

Depois de três anos no Núcleo de Dramaturgia do Sesi, o dramaturgo Don Correa se mostra um aluno aplicado. Além de ter assumido a coordenação das aulas ministradas em Londrina e feito a assistência de direção de Haikai, de Roberto Alvim, o jovem já montou dois textos influenciados pela escola do núcleo.

Zero, em cartaz até domingo no Mini Guaíra, revela uma rigidez inicial trazida pelo ator norte-americano Brian Townes, que interpreta em inglês, com legendas ao fundo. Com a passagem das cenas fragmentadas e o uso hábil de movimento e trocas de figurino, o texto enfático ganha mais maciez e se acomoda ao espaço.

No fio condutor, o mito medieval da combustão espontânea de seres humanos, que aqui queima em diferentes vozes, e alusões ao universo da guerra – a redação começou há vários anos, quando o autor morava na África do Sul. “Nem o corpo, nem a palavra: o que interessa é a presentificação de signos”, explica Correa. Um exemplo de criação autoral a partir de um conceito inovador de teatro.

Helena Carnieri (Gazeta do Povo)

Programe-se

Zero

Miniauditório do Teatro Guaíra (R. Amintas de Barros, s/nº), (41) 3304-7982. Texto e direção de Don Correa. Com Brian Townes. Quinta-feira a sábado, às 20 horas, e domingo, às 19 horas. Até 20 de outubro. A partir de R$ 15. Classificação indicativa: 14 anos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Últimas apresentações de ZERO no Teatro Guaíra

Espetáculo em inglês com legendas em português faz últimas apresentações no Teatro Guaíra (Miniauditório) nos dias 17, 18, 19 e 20 de Outubro


Brian Townes em ZERO, um posfácio ao livro de receitas anarquista

ZERO, espetáculo em inglês com legendas em português, conclui sua temporada no Teatro Guaíra nos dias 17, 18, 19 e 20 de Outubro. As últimas apresentações serão de quinta a sábado às 20h00 e domingo às 19h00.

A peça que já fez apresentações em São Paulo (Club Noir e Teatro Popular do SESI), Londrina (FILO) e Curitiba (FTC, Teatro SESI, Teatro Guaíra), segue em sua turnê nacional, com previsão de apresentações internacionais em 2014.

ZERO
últimas apresentações: 17, 18, 19, 20 de Outubro
quinta a sábado às 20h00 e domingo às 19h00

texto e direção: Don Correa
elenco: Brian Townes
produtor de operações: Eduardo Ramos
fotografia e vídeo: Bruno Mancuso
apoio: Núcleo de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
realização: FALA Companhia de Teatro

fanpage: www.facebook.com/falateatro
website: www.falateatro.blogspot.com
teaser: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zjtJ1923jws

"A experiência trazida ao espectador pode ser descrita como uma maneira de incendiar suas convicções por dentro. Atear fogo é pouco nos dias atuais. É preciso conseguir levar o outro a aceitar sua própria destruição. E Zero faz necessariamente bem muito de tudo isso." 
(Ruy Filho, Editor-Chefe da Revista Antro+)

"...uma orquestração sensível de luz, som, ritmos e sensações..." 
(Luciana Romagnolli, Jornalista e Crítica Teatral, em Balanço Crítico para Gazeta do Povo)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ZERO cumpre temporada no Mini-Guaíra de 3 a 20 de Outubro

Espetáculo em inglês com legendas em português cumpre temporada de 3 semanas (quinta a sábado às 20h e domingos às 19h) no miniauditório do Teatro Guaíra

Ator Brian Townes (Nova Iorque)


Após as apresentações no Club Noir (São Paulo), no Teatro SESI (Curitiba), no Festival Internacional de Londrina (FILO), e no Teatro Popular do SESI (São Paulo), a peça em inglês ZERO faz temporada em Curitiba com legendas em português

O espetáculo escrito e dirigido por Don Correa, apresentado pelo ator nova-iorquino Brian Townes, cumprirá temporada no mini-auditório do Teatro Guaíra entre os dias 3 e 20 de Outubro, de quinta a sábado às 20h00, e aos domingos às 19h00.


A combustão humana espontânea: a epifania que move um homem à ação. Desde o homem que mata um cão com um golpe martelo até o solitário que marcha peito aberto contra um pelotão de choque - algo que pulsa e incinera o homem de ação.

ZERO foi destaque de crítica do Festival de Teatro de Curitiba 2013, apontado pela crítica Luciana Romagnolli como uma "orquestração sensível de luz, sons, ritmos e sensações", e pelo crítico Ruy Filho, de São Paulo, como "uma experiência trazida ao espectador que pode ser descrita como uma maneira de incendiar suas convicções por dentro".


ZERO
a postscript to the anarchist cookbook
um posfácio ao livro de receitas anarquista


espetáculo em inglês com legendas em português
de 3 a 20 de outubro

miniauditório do teatro guaíra - r. amintas de barros
qui, sex, sáb às 20h00 e dom às 19h00
duração: 40 minutos
ingressos: 15,00 (meia) e 30,00 (inteira)

texto e direção: Don Correa
elenco: Brian Townes
operação de luz: Eduardo Ramos
iluminação: Don Correa
fotografia e vídeo: Bruno Mancuso
teaser: Link de Youtube
apoio: Núcleo de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
realização: FALA Companhia de Teatro

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ZERO faz apresentação no 5º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council (SP)

Espetáculo em inglês de Curitiba integra a Mostra do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council no Teatro SESI na Av. Paulista, 1313, no dia 2/10 às 20h00.

Teatro Popular do SESI, Av. Paulista 1313, São Paulo

ZERO, espetáculo em inglês com legendas em português, fará apresentação única a convite do Núcleo de Dramaturgia SESI. A peça foi escrita e dirigida por Don Correa e conta com a interpretação do ator nova-iorquino Brian Townes. 

O espetáculo de Curitiba integrará o 5º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council (SP), que conta também com a presença do dramaturgo Anthony Neilson (Escócia). 

O 5º Ciclo do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council (SP) busca a integração de dramaturgos emergentes brasileiros, oriundos dos Núcleos de Dramaturgia SESI/PR e SESI/SP, com dramaturgos emergentes britânicos.




ZERO
a postscript to the anarchist cookbook


espetáculo em inglês com legendas em português
2 de Outubro, 20h00
Teatro Popular do SESI, Av. Paulista 1313 (em frente a Estação Trianon-MASP), SP
duração: 40 minutos

texto e direção: Don Correa 
elenco: Brian Townes 
operação de luz e legendas: Eduardo Ramos
iluminação e sonoplastia: Don Correa
fotografia e vídeo: Bruno Mancuso 
apoio: Núcleo de Dramaturgia SESI/PR - Teatro Guaíra
realização: FALA Companhia de Teatro
website: www.falateatro.blogspot.com
teaser: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zjtJ1923jws 

Sinopse:

Espetáculo em inglês com legendas em português apresentado pelo ator nova-iorquino Brian Townes. A combustão humana espontânea: a epifania que move um homem. Desde o homem que mata um cão com um golpe de martelo até o solitário que marcha peito aberto contra um pelotão de choque - algo que incinera o homem de ação.

Crítica e Recepção:

"Zero realiza bem o proposito do transumano. Consegue se destacar nas experiências mais próximas aos princípios da teoria, ao elencar imagens fortes, simbolicamente complexas, a partir de estruturas de representação simples e belas. O ator, evidentemente, não atinge o estado de autocombustão. Mas a experiência trazida ao espectador pode ser sim descrita como uma maneira de incendiar suas convicções por dentro. Atear fogo é pouco nos dias atuais. É preciso conseguir levar o outro a aceitar sua própria destruição. E Zero faz necessariamente bem muito de tudo isso." (Ruy Filho , editor-chefe da revista Antro+)

"Uma orquestração sensível de luz, som, ritmos e sensações." (Luciana Eastwood Romagnolli, em balanço crítico do FTC 2013 para a Gazeta do Povo)